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10
Abr
Irmã Lucida Schmieder relata a sua experiência com a RCC
Irmã Lucida Schmieder relata a sua experiência com a RCC

Novo sinal de Deus: minha experiência com a Renovação Carismática Católica


 


Em 1970 por ocasião do Capítulo Geral das Beneditinas Missionárias de Tutzing em nossa Casa recém-construída, "Casa Santo Spírito", Roma, Aurélio, visitava meus pais em Gmund junto do Lago Tegernsee, na Bavária, Alemanha do Sul. Depois de 1r9 anos no Brasil (1951-1970), houve um encontro muito gratificante e alegre para todos nós na família. Foi pela última vez que vii minha mãe, pois ela morreu pouco antes da minha próxima visita em 16/08/1975).


Retornada para o Brasil e animada pelos propósitos do nosso Capítulo Geral, minha meta foi promover com todo empenho a renovação espiritual das nossas comunidades. O Vaticano II recomendou às Religiosas e aos Religiosos com urgência prioritária esta tarefa.


Nas Assembleias dos superiores e superioras maiores das Congregrações residentes em nossa Diocese Olinda e Recife, dirigida pelo então Arcebispo Dom Helder Câmara, procurava um estímulo ou uma pista, sem receber uma resposta satisfatória. Em diálogo com nossas irmãs da Casa do Priorado surgiu uma decisão. Queríamos nos encontrar semanalmente, voluntariamente, quem quer, no domingo, 09:00h às 10:00h. Como está esacrito nos Atos dos Apóstolos queremos implorar a descida do Espírito Santo e ver como tudo se desenvolve. Descobrimos uma forma de rezar livremente, a partir de Salmo e textos bíblicos. O que hoje é muito familiar e conhecido como partilha da Lectio Divina no mundo das Ordens religiosas, era naquele tempo novidade, presente do Espírito Santo. O louvor de Deus, a ação de graças, preces de intercessão brotando do coração, o poder de abençoar-nos  mutuamente jorraram como frutos da fonte viva do Cristo presente entre nós. Deu-nos ardor e alegria, de modo que convidamos os monges da Abadia de São Bento de participar se quisessem. Neste contexto foi preparada a sala do cenáculo com o Santíssimo Sacramento. Irmã Bertgund, nossa artista, preparava o lugar sagrado com muita dedicação. Até então nos encontramos na sala do capítulo, uma vez que nossa Igreja, onde rezamos a Liturgia das Horas e celebramos a Santa Missa, é muito frequentada por turistas e não apropriada para a oração silenciosa ou a partilha de experiência com Deus.


Nesta época de busca de uma renovação espiritual mais profunda eu pessoalmente fiquei tocada profundamente.


Quero testemunhar este meu processo para a honra e o louvor de Deus, que me concedeu esta graça. Senti certa inibição e constrangimento, quando irmãs me pediram ajuda para rezar pessoalmente. Não consegui abrir-me falando com fraqueza sobre minhas experiências com Deus e na oração. Senti um bloqueio, embora experimentasse a presença e proximidade de Deus no cotidiano, pois sempre tenha dado prioridade à oração e à meditação. Implorei ao Senhor: Liberte-me do meu fechamento, abra o meu coração. O verso do Salmo 19,13 me acompanhou por muito tempo: "Do meu pecado oculto liberta-me Senhor!". Como Jacó eu lutei com o Senhor para receber a graça da oração sem cessar, para ser libertada e abençoada. Depois de um ano, o Senhor escutou a minha prece na sua imensa misericórdia. 


Um belo dia recebi um telefonema de uma irmã franciscana de Salvador (Bahia) convidando-me para o encontro de líderes da RCC (Renovação Carismática Católica). Como não sabia quase nada sobre este movimento da renovação hesitei e não queria aceitar o convite. Mas a Irmã de tal maneira insistiu e acrescentou que o Bispo Walfredo Tepe, Ofm estava pedindo que eu viesse e pedi um tempo para refletir e finalmente senti um impulso interior como se fosse o Senhor que estivesse me chamando. As Irmãs do conselho estavam a favor e Irmã Gerhilde e Irmã Sigrid queriam me acompanhar. Ao chegar à casa de retiro das franciscanas hospitaleiras portuguesas, encontramos cerca de 100 pessoas reunidas, bem diferentes, jovens e adultos, professores e estudantes, analfabetos, sacerdotes e religiosos, até o Cardeal e Arcebispo de Salvador tinha chegado. Padre Eduardo Dougherty, SJ. um jovem jesuíta americano condenou o encontro de três dias. Ele falou com unção e entusiasmo sobre a parábola do Pai misericordioso (Lucas 15). Neste texto, bastante conhecido para mim se abriu uma fonte borbulhante do amor de Deus radiosa, vivificante e fascinante. A atmosfera de oração nesta assembleia única era profunda e de alegre expectativa, o recolhimento notável. Fquei admirada quando cantaram em línguas e perguntei o que significa tal fenômeno. Ofereceram a oração a fim de pedir este dom de Deus. Mas ainda não estava pronta para arriscar algo que não conhecia. Mas, no último dia pensei, quando de novo ouvir o convite, em si podia tentar. pois certamente nada de ruim vai me acontecer. Rezaram por mim e lembrei-me do verso que tanto meditei: "Senhor mostra-me o meu pecado oculto, revela-me o que está fechado de mim, tem piedade de mim!"


O que me foi revelado durante a oração destas pessoas cheias de fé, foi completamente diferente daquilo que imaginei. Fui como que mergulhadanuma torrente do amor de Deus, que penetrou meu ser até a médula, que viveu em mim, rezava em mim continuamente louvores de Deus. Incompreensíveltal experiência de ser inundada pelo amor vivo e vivificante do grande Deus que se manifesta por Jesus Cristo a mim. Depois só queria rezar, agradecer, louvar a Deus. Procurei a Capela próxima e afinal me deitei na cama e em mim rezava quem é o autor da vida. Pela segunda vez o Senhor tocou profundamente o meu coração. Em 1947 quando me chamou com tanto amor e agora, em 1972, surpreendente, com intensidade ainda mais forte. Entendi que foi a experiência de um Pentecostes pessoal. Senti a efusão do Espírito Santo tão forte que procurava depoimentos teológicos da doutrina da Igreja e fundamentação bíblica. A Providência Divina me levou a busca de literatura teológica e descobri escritos do Professor DDR Heriberth Muhlen sobre a ação do Espírito Santo hoje. Descobri a dimensão carismática da fé, que nas pessoas abertas e orantes para Deus, manifesta a ação do Espírito Santo que derrama os seus dons conforme a necessidade da Igreja local. Compreendi existencialmente, que a salvação de Deus é salvar, libertar e curar concretamente corpo, alma e espírito, a pessoa toda, integralmente. Que o Espírito Santo conduz para um lugar espaçoso, para a liberdade porque me ama (Conforme Salmo 17,20 (18,20)


Escrevi a minha experiência a nossa Madre Geral Gertrud Link. Também ao voltar de Salvador procurei uma oportunidade de falar com Dom Helder Câmara, nosso Arcebispo. Quando terminei, ele se ajoelhou e me pediu para rezar por ele. Fui comovida, também me ajoelhei, rezei e lhe pedi a benção.


Como se mostrou esta vivência espiritual no meu dia a dia? Em primeiro lugar senti a necessidade de me levantar mais cedo. Queria rezar, só rezar, estar junto d'Ele e n'Ele. Olhando pela janela vi o Oceano Atlântico, tinha a impressão que Jesus Cristo, o Alfa e o Ômega, é realmente Aquele que abrange todo o cosmo, atraindo todos os homens para si, além das fronteiras do tempo e do espaço e além de todas as gerações. Não falei sobre minha experiência, mas as Irmãs notaram  uma mudança em mim. Aquela abertura que tanto almejei agora me foi concedida. Agora de bom grado explicava a todas que me perguntaram a respeito de minha fé e de como rezar melhor. Um efeito novo se verificou que tinha mais coragem de enfrentar os conflitos abertamente, revelar os problemas ocultos debaixo do tapete e mostrar como só a verdade nos fará livres e felizes. Claro que surgiram em seguida bastantes desafios e dificuldades a enfrentar e vencer.


Interessante foi que neste tempo chegaram várias pessoas que queriam aprender a rezar. Mães com seus filhinhos doentes pediram orações para que Deus curasse os pequeninos. Aconteceram curas, libeertações e várias pessoas testemunharam que Deus escutou suas orações, que sentiam a necessidade de umaq conversão profunda, pois entraram em contato com Jesus Cristo vivo e presente. Vendo o interesse de tanta gentede começar um caminho novo com Deus, começamos a oferecer seminários sobre o Espírito Santo. Várias Irmãs nossas experimentaram um amor mais intenso a Santa Eucaristiae a adoração eucarística. 


O nosso novo oratório carinhosamente preparado e ornamentado por nosso artista Ir. Bertgund convidou para uma vivência mais intensa com Jesus Cristo, nosso Mestre e Senhor. Tivemos encontros de oração, louvor e adoração. Rezamos os salmos de modo meditativo e rezamos fortalecendo e abençoando-nos umas pelas outras. Houve um despertar original, nova alegria e esperança em nosso meio. Sentiu-se um desejo de reconciliação e de entrega gratuita.


No entanto numa comunidade religiosa cada uma das irmãs tem a sua caminhada pessoal com o Senhor e seus desafios próprios. Esta diferença e diveersidade dos processos individuais no seguimento de Cristo não deixam de provocar também tensões. Surgem desentendimentos e mal-entendimentos. Tudo isso pertence a uma vida de vivência intensa com o Senhor, pois onde a luz brilha bem clara nota-se a mínima poeira. Importante são a perseverança e a prática do amor fraterno que olha o próximo com carinhosa compreensão. Nada preferir ao amor do Cristo, pois Ele é o nosso centro, nosso caminho e nossa única meta. Onde duas ou três estão reunidas em meu nome ai estou no meio delas. Uma experiência gratificante que nós vivenciamos. Experiência que perdura até hoje e se intensifica sempre mais, pois a base é intimidade com a pessoa de Jesus Cristo. Ele nos ama sem limites e nos quer tornar semelhante a Ele por seu Espírito Santo: Sinais vivos de sua presença amorosa, testemunhas corajosas de sua presença misericordiosa, viva entre nós.


 


 


 


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